Bétis
Eu jogava bétis. A gente apostava na saliva na madeira, selava. Fui bom jogador de arremate. Bolinhas de gudes, figurinhas, tralhas. Os jogadores aproveitavam qualquer falha. Nunca soube que um parceiro de um time podia estar combinado para perder e depois dividir o prêmio.
Seria ridículo. Fazer corpo mole, quebrar o significado da brincadeira e o sentido de sermos atletas da diversão. A maioria das vezes não apostávamos coisa alguma. O brinquedo era sério e a rua um lugar republicano, a criança era muito maior que o carro.
Agora se houve, como se ouve falar, quem enganou, que os cara, da bola, alguns deles , foram meio que levados no convite, a mudar de time, sair de um país, ganhar, até pode ser, qualquer tipo prêmio para inibir arrependimento, tapinha nas costas, fotografia, eu sinto isso, o vazio das ruas. A certeza de atropelamento. Se fizeram isso, entregaram o time, a torcida e os amigos e todo mundo para levar para casa as nossas bolinhas de gude e figurinhas, e os nossos nadas, e sei o porquê, porque não jogaram bétis, isso faz o que pensar.
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