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O inferno

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       Estou te contando isso porque não tenho o que fazer, não estou na sala de negócios, e por nada, talvez isso seja uma brutalidade ao espírito que vende, fábrica e acumula dinheiro, fofoca para juntar uma féria a mais, enfim, sinto que ofenda as almas práticas, as almas engastadas no arado. Acho que não tenho saída, às vezes bate algo dentro, uma porrada interna querendo sair goela fora. Sei que não é comum em um mundo engenhado no cálculo, mas digo que é amor, um pouco perdido, tantas vezes encontrado. Uma infância atarracada, gorda, a vida escalada nos confetes de bolo de aniversário que marcam o número das velas, o tempo. Ela se confundiu, penso nisso. Entrou lá em casa e foi ficando. Alma, essa coisa gasosa. Eu ia vê-la, outras vezes o contrário. Os dias chatos, mornos, acalentados no carinho, naquela voz que diz: fica quieto, não mexa em nada, a vida é assim mesmo, esse marasmo. E eu dei um jeito importunar esse arrasto de caracol. Lembro bem, a minha mã...