Boxe sem luvas: a caixa vazia
Escrevo para que esse esquecimento, corrompido em palavras possa ser lembrado. A invenção do perdoar, “deixar-para-lá,” é uma falácia; na estampa do frasco guardado no armário está escrito e sinalizado “veneno” e não no copo em cima do piano. Não sei como me perdoar dos meus maltratos comigo mesmo. A autopunição parece uma autopiedade planejada. Vi isso, de alguma forma parecido no boxe, e não em sua intrínseca brutalidade. Escrevo essa carta para morrer o pensamento conclusivo, acertado, protegido ou patrocinado. Naquele tempo o boxe; a violência medida em técnicas e habilidades; estilos, modos de ação criadas; equilíbrio emocional, corpo estruturado; definições de estratégias e táticas; a ética regulamentada e um valor pessoal perseguido e desejado; um drama em uma comédia. O teatro de cortinas abertas, o gesto perfeito na intenção investida, o riso e a dor distribuído. Alteridade impossível. Gritam: “não sou esse e nem aquele.” Mas é “perdoável” diante o medo de qualquer...