A vida fosse jogo

 (Para Maria Sara)

A vida fosse jogo. A medida quantitativa na percentagem das vantagens em relação a uma regra de funções entendida. Teríamos gráficos existenciais dos lances, os momentos dimensionais, formas preenchidas. Seria estável a deterioração das habilidades, todas prévias, experimentadas antes de surgir a jogada. Catalogados os instantes de cada uma delas em trajetórias anteriormente definidas no impulso da meta. Um vetorial de tensões. O automatismo de entrar na existência com uma carga herdada de moralidades e presunções éticas predestinadas de surpresas calculadas, e em um confortável estado de ser jogador, como que definido, contumaz. O acaso articulado, reconhecido. O formalismo ondular e enredado, anteposto ao ponto de partida. Venceríamos o estado de anti-permanência, e seríamos glorificados perdedores, desde o fim da oxidação.

Passaríamos a perna na aglutinação, derrubaríamos todos, um por um e a totalidade no bolso. E no campo das definições, veríamos que jogaríamos para vencer o perdido. Em mãos, o inventário de todas pretensões. E como num ante-conectado ato, já sabido e tantas vezes derrocado, o destino vence. 

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