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Mostrando entradas de octubre, 2025

Falo dela, da jogada inesperada

  Eu não a achei bonita; essas pessoas têm uma feiúra estável, tipo côro em marcha. Venceram, tudo bem, o paredão leva porrada e é mais resistente. Tudo é combinado, materialização de esquema ou conluio. Os movimentos eram certos, precisos. Gente sem suor. A beleza devia ter ao menos mau cheiro, algum desafio ético-moral ou pensamento tipo gelo. Não sei se confio em algo sem desacordo. Depois, se afogam na fala, muita saliva. O movimento destoa da trama, não há impacto, parecem gripados . Escarrassem, fossem menos etiquetados. Como se diz no Brasil: foi bom ato começo. No fim, gostei quando caiu e continuou empurrando a bola com desespero. Havia algo de valor ali. A forma no chão, disforme. Vontade de vencer sem medo. A guerra dentro de si.  Há nisso o que a beleza indiferente contorna o horror, não é bonito. Era um heroísmo humano na falha, na queda e no genial passe com os pés desajeitados. Todos viram e vibraram. A outra veio e carimbou a bola. Errou, perderam, mas senti qu...

Futebol: O que nos deixa mal é o que nos deixa.

      Quanta gente podia estar ali e não está. O menino não se comporta de acordo com o grupo, e é posto fora, esquecido. Os melhores em campo podem ter excluídos os melhores que eles.  O que nos deixa mal é o que nos deixa. Verdade, todo brasileiro é técnico de nascença, mas como temos dúvidas de qualquer brasileiro, aprendemos isso com a antropofagia que o poeta Oswald de Andrade ensinou, devoramos toda a beleza, comemos a criatividade de qualquer um, batemos na rua em professor, e todo aquele que puser suas manguinhas de fora, leva paulada para lembrar a gente que somos o bicho a ser morto no frigorífico da colonização. E o pior, pior é ser decolonial sem saber patavina das línguas autóctones, das variantes variáveis da nossa cultura, de toda idiossincrasia que faz o movimento que aponta que uma ação virou filosofia. Dá para olhar novamente como estão seguindo a regra de pseudo-conceitos, falsas moralidades, de deveres a serem cumpridos, podemos perceber o co...

Devo ir logo mais

  Aviso: Escrevo no dedo, vou leaping no dedão, e aperto a campainha das casas das letras. Celular, cheio de célula sem mitocôndrias.Vai ver, vez e outra falho. Está como testemunha de meu apego, o barulho silencioso da palavra. Agora, noite, este dia escuro, uma tardinha boa do fim triste da manhã que não houve, ouço os salpicos de uma serra-canário, ela canta, gorjeia, e no fundo passam doze caminhões, um deles com um tombo na carroceria, madeira, ou bateu com o estribo e quebrou a ponte do frechal, ou é mesmo, o que pensei de passada, a sobrecarga de um só lado, deve estar levando um peso massivo, que se mantém, não revira e se desloca, ao meio caminho ainda ouço a voz vizinha insistindo com o maridão jogar fogo aqui em casa, o outro, bem conhecido, de cultura muito velha presa às grotas, finge tocar gaita, mesm aos lábios desafina na segunda nota e não consegue subir o degrau, desce de chapa, chinela de enfia dedo, fácil de limpar o barro, não amassa grimpa, perigoso de tropeça...