Devo ir logo mais
Aviso:
Escrevo no dedo, vou leaping no dedão, e aperto a campainha das casas das letras. Celular, cheio de célula sem mitocôndrias.Vai ver, vez e outra falho. Está como testemunha de meu apego, o barulho silencioso da palavra.
Agora, noite, este dia escuro, uma tardinha boa do fim triste da manhã que não houve, ouço os salpicos de uma serra-canário, ela canta, gorjeia, e no fundo passam doze caminhões, um deles com um tombo na carroceria, madeira, ou bateu com o estribo e quebrou a ponte do frechal, ou é mesmo, o que pensei de passada, a sobrecarga de um só lado, deve estar levando um peso massivo, que se mantém, não revira e se desloca, ao meio caminho ainda ouço a voz vizinha insistindo com o maridão jogar fogo aqui em casa, o outro, bem conhecido, de cultura muito velha presa às grotas, finge tocar gaita, mesm aos lábios desafina na segunda nota e não consegue subir o degrau, desce de chapa, chinela de enfia dedo, fácil de limpar o barro, não amassa grimpa, perigoso de tropeçar devido a linda das cordas que amarram pouco, o pé, e o poleiro alto, também ouço. Um faz trincado de bate pata na vara que pus bem no fuste da casinha, está meio solta e um leve ripar rebate duplo, asas de aplauso de pombas do ar, um corre de juriti, e o vento levante, por serem de maio número de rolinhas da cara azul. Os bem-te-vis vêm de sopetão, parece que grudam nas arestas e caçam olhar, dão um soluço e mergulham no ar, faz pouco, não acompanho o horário veio desses Boing nateiros que carregam o ar, freou na inversão aqui perto e sumiu para a cidade, ele está esguichando muita querosene, deu uma bandeada meio a sudoeste um tanto fora do marcador da rua, tenho certeza que vai corrigir o curso no delta antes de abrigar os ferrolhos. Fora isso, passou um universal de hélice de capota, esses sem roela de manche alavanca, helicóptero, passou meio curioso, notei pelo som que estava desenhando uma curva, se pode notar o bate-bate dos trancos dos virabrequim de canudos, é um bater de porta de aço duro, toque-toque seco, duro. Pouco zunido de abelhas e vespas que deitam nas frutas abertas que deixei no quintal, mosquito nas vertentes do quadro tríptico da porta da frente, e agora esses sons de tizius, guáchos de fraque vermelhos, parecem gauches -de onde vem a letra-, grasnam no descer e subir na aroeira, e faz um discurso a sabiá e é respondida, a pompa de pombas com voz gorda, bugias famintas, quebram a ração do cachorro. Uiva um, distante, pobre, preso a uma corrente. O portão lá debaixo precisa de pão e manteiga, não está macio, machuca na grosa, lima a deitada dele, deve ter quase dois metros. Agora passa um monomotor, se aproxima com a janela vitrola aberta, o terceiro pistão está um pouco de folga, pouca coisa, dá para ouvir um treme. A geladeira dorme em pé e soluça alguma coisa. Tem algo se arrastando no quintal, ou é uma cravejada ou um serelepe. Caiu um funil no chão socado da funelaria, e um alguém arrastou o dito. Incrível passou um carro com um CHT francês, meio amarelo na saída de escape. Um grilo, vê se pode, é é do tipo verde, diferente do louva-deus, trina as asas. E ocorreu-me que estou passando. Uma moto japonesa, 650CC dos anos 80 passa com o carburador bem aventado, desce lento o matagal num esburacar da fala, abriu a torneira e é desse jeito. E me esqueço do compromisso. Vou buscar meu filho. Outro avião, bimotor, equilibrado, 2000 pés, vai certo, um carro arrumado no ar, sabe aonde chegar. Alguém toma banho no fim da terceira rua, não conheço, canta uma inveterada. Tenho de sair, vai a revoada, o vento leve pesa a cortina. Abrem a centrífuga da máquina de lavar. Como me esqueço de ir-me vez por todas. Passa alguém na rua com as solas de sapatos de borracha inventadas no tênis, vai zanzando, e logo sei que manca de guarda. Os cotovelos de alguém de meia-idade à janela, parece dizer: pronto, cheguei. Uma porta de folha oca bate do outro lado. Alguém esconde algo. Devo ir que cansei.
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