Para Karla Selide, com amor
Pego da lousa para riscar em giz o que não digo, envio à ti por convulsão de últimos instantes, que não leia ou se o saiba, possa saltar o que está escrito e aproveitar esse amontoado que ficará na memória como sem-sentido. Mas insisto que chegue aos teus olhos por esse tipo de correio porque do outro, jamais teria em mãos qualquer materialidade do escrito, infelizmente abrem, mexem, e podem mudar o significado. Escrevo na sílica, nessa areia despejada, feita de aproveitamento. Nem é escrita senão porrada. Mas triste suavidade que nos fere. Karla Selide, aqui encontrará o que não foi escrito, eu me anteponho a qualquer entendimento que sei, incerto. Saberá por outros o que de minha retraçada linhas quase falo. Verá que nem desculpo e também nem aponto o que sei de ti. Como um pastel que se busca mais o conteúdo e se pensa em travesseiro, entende? Claro que não. É como uma nova teoria que começa sem fundamento e se vai segurando nos postes s...