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Mostrando entradas de marzo, 2022

Quer saber tempestade?

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Olha, a gente está aqui. A intimidade e cotoveladas, o pássaro nem sempre voa.  É uma licença controlada, igual à rua, e isso não passa de propriedade, e de privada. Então, o melhor voo é chato. A viagem não tem caminho, o que importa é o pouso onde possa ser feliz. Bate asas, axilas necessitam de perfumes. Leva um balde d’água, beba cultura e tome banho em alguma livraria. Já disse tudo. Onde estamos é quando desaparecemos. Brinque de estátua, menos frente ao espelho, porque não há quem possa dizer a palavra livre.  Veja, desaparecemos todos os dias, parece piada. Mas poucos conseguem à seriedade de sem-motivo rir da brincadeira. Dessa vez fica assim. Compreendo até o garrancho da letra. E sabe, uma pessoa como você, alguém assim cheia disso tudo, não dá, com má água no coração. Se livra do mal. E não sou amigo, sabe bem, sou pai, beijos, vê se chove. ####### Charlie

Barradas de flores

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     Querido, não pense assim. Recebi tua correspondência, vi as entrelinhas. Não vou dizer, olha, faça outra coisa. Não.  O estado, as políticas da sesmaria e a raiva colonial, sabe?          Complexo de capataz que fere para se vingar da nobreza, das pessoas que não leem, nem amam a arte. Fazer o quê? Os judeus foram perseguidos e cruelmente repelidos e conseguiram passar o rodo. Conhece gente mais assassinada e incendiada que a pobreza? Gente que quer e trabalha. Apesar de serem massacradas, continuam e continuam como flores penduradas nos muros.  Levante-se há um passo a realizar   Cair é uma maneira de florir verdades.  O mal jardineiro corta, fofoca sobre o    arbusto, avisa que o excesso faz mal.  É ruim, e todos creem que se trata de  sábio premiado. Faz discurso, escreve   em jornais, aulas na universidade,   contratado para cuidar dos jardins e   da cultura florid...

Vaidade e morte

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 Escrevo por causa de suas absurdas pretensões. Um recado, não mais que isso. O que acha que vai fazer, não com sua vida, mas com os outros. Vaidade, meu filho. Uniforme, esse pijama, e um intestino de aço por onde se atira merda.  É vaidade, a caixinha a tiracolo onde segue a lupem condição, a estupidez afivelada, garantia formada da ignorância potencializada, inveja, ciúmes, a raiva esganiçada e incontida, o mal abençoado, a virulenta existência covarde e egoísta, crueldade que a falsidade alimenta, sensualidades na admoestação pública da baixeza na carne corrompida, e a maldição. Vaidade lembrar isso. Passear e fazer pose com armas ainda fumegantes, o cheiro e o nodoso extrato de sangue. E não sai da cabeça o grito da morte.

Papai é santo? Não é.

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  Papai é santo? Não é. Melhor mostrar o que tem no fundo da garganta para que papaizinho não queira ver o teu buchinho de fora. Não sei, hoje. Uma raivinha fria na ponta da faca, um sei quê mexeu. Não gosto de me sentir assim. Me sinto palestino. Você sabe, bem pouco, mas. Você sabe, não sabe que papai é bonzinho e muito amoroso, e que contrário a isso ele mede igualzinho. Quero falar contigo na ponta da orelha. Ouvir tudinho para teu papai passar a promissória. Muita gente fica triste quando não vê direito. E papai vai até lá no capinzal desenterrar a coisa feia. Quer papai nervoso? Então desembucha. E não é ameaça. Papai não chama ninguém. Mas. Como se diz. #######

Noite dura o dia

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  Boa noite. Infelizmente já é noite. O dia debaixo da porta. A luz suja do poste da rua. Bom dia. Encosto os olhos pelo vão. É noite. O dia seguinte será assim. Philipp Roth deitado na soleira. Eu o esqueci fora. Nada a fazer. Quando vier o sol eu o resgato antes que o cachorro o destrua. Coma a última parte. Boa noite. Abro a janela e tento cobrir sua nudez. Está na soleira e mal o alcanço. A coberta fria - ele aquece. Cedo piso o frio rocio no pasto. Olho o vazio. É tão amplo. Olhos de vacas e de bois. Todos com brincos numerosos. Vendidos ao fim do texto. Crise. Boa noite. Preço baixo. Amanhece.

Lástima

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  Muita lástima, as perdas garantidas, comiseração de si, e a piedade pessoal que vaza pelos buracos fedorentos das pequenas crenças. O olhar quieto, contido. Cálidos silenciosos. Eles passam enquanto enlouqueço. São fios elétricos desencapados. Rajaram os dentes a dizer “não se vê nada”, assim mesmo, com a carne coberta e apavorante de mesmas marcas. E olharam a algum vazio, ao desconhecido, e cumprimentaram com mesuras sutis de cabeça. Calados, vão ao mercado.

In Memoriam das doces perdas

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  Lembrei disso outra vez. Alguns amigos não gostam. Mas eu sim, e por muitas razões. Meu pai parava lá com sua Vemaghete,  “nosso primeiro orgulho nacional”, vez quando. Mais tarde, levava minha filha. E meu filho, e ia também só. Aprendi a ler na biblioteca, quando foi mais pública, conhecida. Havia bibliotecárias, elas me educaram a buscar outras línguas. E a gostar disso.  Tinha as prateleiras que não carregavam pratos naquela época. Lembro mal: russos, alemães, ingleses, italianos, espanhóis, era mais ou menos essa sequência. Prometi ler todos que gostasse, como diz Borges. E fui até a cara dos gregos, comer horas desconhecidas de latim. Se podia fumar. Vi um grande desfilando de cachimbo, e uma outra encantada que sorria de olhos prensados, assim, ali de me lado. Transpirava, assustado, envergonhado de me esconder no canto mais fundo da mesa. Retirar vô calma aquela quantidade, arrastando com cuidado para não atrapalhar aquela alma grande. Azar meu de ficar apontad...