Barradas de flores
Querido, não pense assim. Recebi tua correspondência, vi as entrelinhas. Não vou dizer, olha, faça outra coisa. Não. O estado, as políticas da sesmaria e a raiva colonial, sabe? Complexo de capataz que fere para se vingar da nobreza, das pessoas que não leem, nem amam a arte. Fazer o quê? Os judeus foram perseguidos e cruelmente repelidos e conseguiram passar o rodo. Conhece gente mais assassinada e incendiada que a pobreza? Gente que quer e trabalha. Apesar de serem massacradas, continuam e continuam como flores penduradas nos muros.
Levante-se há um passo a realizar
Cair é uma maneira de florir verdades.
O mal jardineiro corta, fofoca sobre o
arbusto, avisa que o excesso faz mal.
É ruim, e todos creem que se trata de
sábio premiado. Faz discurso, escreve
em jornais, aulas na universidade,
contratado para cuidar dos jardins e
da cultura florida, e dizima.
E se ouve a claque, almas cooptadas,
o grupo, a murmurar: lindo, perfeito,
ótimo corte.
Barradas horríveis, (aprendemos), de
flores e brotos, indecências desse
teatro exagerado. Um corte! - ouço.
Arranquem esse espetáculo da minha
frente. Isso não presta.



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