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Mostrando entradas de mayo, 2026

É pior que sem-graça

  Estou achando que perdi o paladar e não ouço mais os gostos, essas coisas passam, esbarram o silêncio morno de um café feio. A manhã vem sem esperança, o peso, a cor e as vitaminas do caldo. Cansando, dançando e movendo esse chá de pó desconfiado, tinteiro sem pena; fere a voz de dentro. Isso é tão local. Às vezes aparece na pele a erupção de alguma lembrança,  a espuma espiral da torrefação e o ganido da moenda, um toco cego de porcelana carregada de sons, a sensação de pequena verdade comum. Esse treco finge ser o que não é, o pires raso é um palanque; “vamos tomar um cafezinho” dá medo, mal-estar. O caixa do negócio vem arrumado com pelo dourado, papéis escritos, formas bandidas, e se sabe da roupa nova, e que o de dentro é grotesco; e depois vou cuidar de esquecer, aceitar a porrada, cumprimentar a mesa com aquele chorume me olhando nas ventas. Riso cínico encostado à parede, tirando o time, escondendo a vingança, matando o pobre rabi, erguendo no sovaco os maus pensamen...