É pior que sem-graça
Estou achando que perdi o paladar e não ouço mais os gostos, essas coisas passam, esbarram o silêncio morno de um café feio.
A manhã vem sem esperança, o peso, a cor e as vitaminas do caldo. Cansando, dançando e movendo esse chá de pó desconfiado, tinteiro sem pena; fere a voz de dentro. Isso é tão local.
Às vezes aparece na pele a erupção de alguma lembrança, a espuma espiral da torrefação e o ganido da moenda, um toco cego de porcelana carregada de sons, a sensação de pequena verdade comum.
Esse treco finge ser o que não é, o pires raso é um palanque; “vamos tomar um cafezinho” dá medo, mal-estar. O caixa do negócio vem arrumado com pelo dourado, papéis escritos, formas bandidas, e se sabe da roupa nova, e que o de dentro é grotesco; e depois vou cuidar de esquecer, aceitar a porrada, cumprimentar a mesa com aquele chorume me olhando nas ventas. Riso cínico encostado à parede, tirando o time, escondendo a vingança, matando o pobre rabi, erguendo no sovaco os maus pensamentos.
Cor de rubi, do jeito certo, claro que é a verdade crua da mentira. Isso é a violência destilada. Café não é. Nem aqui e nem na China. Esse perfume suado de tapa na cara é feito restos extremosos de qualquer coisa. É danificado, perdi, sinceramente perdi o ventilador.
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