É-de-morte
Contou-me que desgostava as caras peladas, a voz fingida de rouquidão, o olhar intrometido, o toque, e já abraço, tapinhas na cara, nas costas, um beijo, risadinhas carnais, os muxoxos, rebolado, a nudez, o caso é o descaso, fala alta e olhar de desprezo, gestos de nobreza, assuntos sobre pasta de dente, e o sarro na voz cheia de vogal, a oferenda, e o jeito de intimidade que aponta a pessoa.
Eu lhe contei que a exclusão é nossa exclusividade, que parasse de se enganar, porque era jeitoso, que logo ia canibalizar até sentimentos, acreditar na anarquia contra a burocracia dos fuzilamentos, e amar por amar no preço, ser bandido na honestidade e na cara dura, e que por fim, o samba ia comer se enchesse mais o saco.
Ele riu, dei uma mordida na orelha dele. Ficou doido. Você é-de-morte.
Não tenho essa cara manchada na varíola não, meu irmão, aqui, arruaça é piquenique, disse para ele. Tirei o fio.
Ficou ardido que nem pimenta. Somos amigos. Inventou uns pagodes, fala sozinho, me disse que canta no banheiro e se agacha, faz macaquinho. Tenho dó. Gosto da malvadeza dele. Levava tudo muito a sério, cara hierarquizado. Mas, enfim, a gente veio para esse mundo para ajudar. Ser brasileiro é muito bonito, não se confia nem nos filhos, mas na hora do vamos-ver, a gente se junta e ninguém é capaz de soltar. E nos amamos muito, até a saideira, e é tudo, tudinho de bem.
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