O que fiz
A gente se enche de nós mesmos
Queremos pôr quem somos fora
E logo nos ajudam
Impelem-nos para o velho precipício umbilical
Vamos rapidinho para o buraco
Caímos lá no profundo raso
Ainda vemos as mãozinhas de ajuda
E são muitas adoidejadas
Mas que bobagem
Levantar-se da cambera
Caminhar em si mesmo
Sair de partida
Abandonar aceno de despedida
Fazer das tripas o coração
Apertar o pulso
Rumar do fim ao início
Nem se queixar por causa de meio passo
Logo ali o cão na rua
O bicho que fala
e na esquina que mal chega
o que lavou e empurrou a chuvarada
Trambolho do vento atormentado
o calor que entra no inverno
E desabrigo
Está em pé
O mundo mudou de lugar
nem sabe onde foi o nariz
e o que faltava
a escuridão persiste ainda que iluminada
Falei para Dorinha que cavei mais um buraco na Lua
fui de mim a meu encontro
corri mundo
E não é que eu estava lá?
Ela com o jeito dela me olhou
e me disse que fiz bem
Disse com amizade que só amor contém: Delino
Me chamou
põe na mesa o que graças a Deus não nos falta
E foi o que primeiro fiz.
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