O que fiz

    A gente se enche de nós mesmos Queremos pôr quem somos fora E logo nos ajudam Impelem-nos para o velho precipício umbilical Vamos rapidinho para o buraco Caímos lá no profundo raso Ainda vemos as mãozinhas de ajuda E são muitas adoidejadas Mas que bobagem Levantar-se da cambera Caminhar em si mesmo Sair de partida Abandonar aceno de despedida Fazer das tripas o coração Apertar o pulso Rumar do fim ao início Nem se queixar por causa de meio passo Logo ali o cão na rua O bicho que fala e na esquina que mal chega o que lavou e empurrou a chuvarada Trambolho do vento atormentado o calor que entra no inverno E desabrigo Está em pé O mundo mudou de lugar nem sabe onde foi o nariz e o que faltava a escuridão persiste ainda que iluminada Falei para Dorinha que cavei mais um buraco na Lua fui de mim a meu encontro corri mundo E não é que eu estava lá? Ela com o jeito dela me olhou e me disse que fiz bem Disse com amizade que só amor contém: Delino Me chamou põe na mesa o que graças a Deus não nos falta E foi o que primeiro fiz.

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CHARLIE 


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