Posso dizer


 Espero que esteja bem. A pergunta que fez recebe a minha resposta, vai de esguelha. Como posso contar. À primeiro vista parecia muito com esparadrapo a esconder machucados. Com outro olho comia tédio de colherinha, prato de sopa quente. Queimava a boca na fala, o respiro da panela de pressão cantava. Num piscar, mudava a cavalgadura, isso piorava quando entrava no baralho. Era grande, antes dos pelotaços que recebeu por causas de cartório. Se safou na ponta das órbitas que ficaram duras. O túnel do olhar era aramado com anzóis. Alto e desgrenhado no vestir, vivia amoitado nos assuntos de dinheiro. Ia pescar como que tivesse gosto, passava horas do dia até o entardecer. Ia pelas balas de riachos, nos dormes de lagos, arrumava a quiça do lado das taboas, atava os lobós em fieira. Vinha limpo, apertava o cenho para a sorte. Vendia fiado e sabe como, ganhava dobrado. À noite nos espreitava a medir o peso da porcada. E quando saía Lua, esticava os tapetes. Deitava com as crias. E mamãe cantava. 

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