Uma comédia que nos expõe
Uma comédia que nos expõe. E nos põe fora. É fria, fica dura, sarcástica no conservadorismo picles do discurso. Grita calada, sufocada porque vive da relutância. Sem valor, sem ética. Comunitarismo fascista disfarçado. Tem não sei quê de hálito pernóstico com cheiro de hortelã. Sequências quebradas para inspirar o louvor à perda, à deusa falta de oportunidade. No lodo do sistema de composição, dançam de escarlate a velha empalamada frase de efeito, é protestantismo salvador, organizado em algum códice dissecado do talião. Calma repentina e mórbida. A ridícula protetiva encenação.
A comédia desumana, técnica e sem alma flutua. Se faz de fraca e pobre, a riqueza com malabarismos que dão ânsia. O mesmo céu turvo, antigo esquemático que nos aponta como Senhor dos universos, o kitsch, a última novidade poética, dedos e olhos armados, claro.
A vida à venda. Eles todos ao entorno, vendidos. Para o fim, miseravelmente opresso, como sempre o perigo da vida terrena sem impostos, sem governo. A morte beija o Estado. Respiro cego e sem ar. Do fundo emerge a rapa suja e convencional, versão subalterna da cultura, medalhona, incapaz de rir de si mesma. É feio não ser dependente da ignorância no poder.
Melhor não olhar para cima, para a tribuna que homogeneiza, tenta esmagar qualquer inteligência com o império doente das estéticas grotescas, a gordura imunda e persuasiva da falácia, da baixa retórica. E as promessas lamurientas da covardia que se levanta, pisa na nossa cara com o podre coturno autoritário das absolutas certezas. A massa informe e jocosa segue seu pouco saber.
Estou falando de um discurso político, não dava para olhar para cima, palancas das palafitas, cuspia enquanto falava.

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